Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal

Nossa História

A história registra que foi por meio da literatura que Miguel de Cervantes encontrou um jeito bastante palatável de fazer críticas, não pouco contundentes, ao estilo de vida da sociedade espanhola do século XVII. Trata-se da famosa obra literária: Dom Quixote.

Nela se observa, entre as muitas peripécias cometidas pelo aventureiro personagem Dom Quixote de La Mancha, o incrível poder do sonho. Diz Cervantes: Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha junto é o começo da realidade. Frase esta que o controverso cantor e compositor brasileiro Raul Seixas parafraseou da seguinte maneira em uma de suas músicas: Sonho que se sonha só. É só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade.

Em ambos os casos fica patente a existência de um princípio que traz, no seu bojo, uma tremenda lição de vida: se até mesmo de um sonho, que é fruto da elucubração motivada por sentimentos intrapessoais, espera-se a busca de cumplicidade e de parceria para tornar-se algo mais do que uma simples divagação, quanto mais para a construção de grandes projetos!

A história da Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal viveu intensamente estes dois momentos. Primeiro, a fase do sonho que se sonha só, gestada no coração e na alma da hoje Acadêmica e Presidente de Honra da atual Diretoria, Professora Cilsa Tavares da Silva. Surgiu dela a iniciativa de compartilhar esse anseio com pessoas que, de alguma forma, poderiam abraçar a ideia e fazê-la transcender do sonho à realidade. A segunda fase – aquela do sonho que se sonha juntos – aconteceu em vários encontros individualizados, a qual foi materializada em um encontro preparatório realizado no templo da Igreja Assembleia de Deus do Núcleo Bandeirante, presidida pelo ilustre Acadêmico José Orcélio de Almeida Amâncio, da qual fizeram parte, além do anfitrião, a Professora Cilsa Tavares, o Reverendo Albérico Camelo de Mendonça e o Doutor Luíz Guerra.

Como fruto daquele primeiro encontro, foi agendada uma reunião ampliada, que aconteceu três dias depois, nas dependências da Igreja Assembleia de Deus Um Novo Dia, situada na SGAS 611, Bloco E, Asa Sul – Brasília, com a participação efetiva de nove interessados na consolidação do Projeto.

O doutor Rubens Tavares e Sousa foi então designado para coordenar interinamente os trabalhos de elaboração dos estatutos da entidade, ficando estabelecido que, “em conformidade com as outras academias”, o número de cadeiras seria de quarenta, “onde cada Patrono deveria ser um escritor evangélico, preferencialmente do Distrito Federal”.  

Ficou acertado, também, que o futuro Estatuto deveria contemplar “um rodízio a cada dois anos” na Presidência da Academia, visando à maior participação entre os membros que, porventura, manifestassem interesse em atuar no cargo máximo de direção da AELDF.

Seguiram-se onze reuniões de exaustivos debates em torno da criação do Estatuto, cuja proposta final foi concluída na reunião do dia 26 de novembro de 2018, com a presença de doze colaboradores.

O texto, composto de 40 Artigos e seus respectivos parágrafos adequadamente estruturados, finalmente estava em condições de ser submetido à aprovação da Assembleia Geral de Fundação da AELDF, conforme convocação publicada para realizar-se no dia 30 de novembro de 2018, por ser o Dia do Evangélico.

Essa Assembleia Inaugural aconteceu no Auditório do Terraço do Bristol Hotel, localizado bem no centro de Brasília, cuja lista de presença formalizou o registro de 65 participantes que subscreveram a ata de fundação da recém-criada Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal, os quais foram incluídos no rol de Membros Fundadores, cuja diplomação se dará na Sessão Magna de hoje.

Presidiu a Assembleia o dr. Rubens Tavares e Sousa a qual, em obediência à pauta previamente estabelecida, aprovou pela unanimidade dos presentes o Estatuto Social da Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal, que foi posteriormente registrado, na forma da Lei, no Cartório do 1º Ofício – Brasília – DF em 08 de abril de 2019.

Concluída a aprovação do Estatuto, foram apresentados e eleitos os 15 primeiros Patronos (sendo uma Patronesse). Elegeu-se, também, a Diretoria Provisória com a missão de conduzir a Academia por um mandato-tampão de seis meses, até a aprovação dos primeiros Membros Acadêmicos com prerrogativas para compor a primeira Diretoria Executiva.

No dia 30 de junho de 2019, os primeiros 15 Membros Acadêmicos foram eleitos pela primeira Assembleia Geral Extraordinária – AGE, entre os quais foi escolhida a Primeira Diretoria, com a missão de completar o mandato de dois anos iniciados pela Diretoria Provisória.

Assim a AELDF se consolidou como associação civil, sem fins lucrativos, com caráter literário, teológico, científico, filosófico, educacional e cultural; que tem por finalidade a preservação, o cultivo, a divulgação e a valorização da literatura evangélica produzida por escritores evangélicos nascidos, residentes ou domiciliados no Distrito Federal e sua região metropolitana.

Atualmente a AELDF conta com dezenove Membros Acadêmicos ocupando honradamente as Cadeiras de Dezoito Patronos e uma Patronesse. Esse número deverá se estender paulatinamente até completar as 40 cadeiras previstas no Estatuto.

Até lá muitos sonhos serão sonhados, mas não de forma isolada ou individualizados. Serão sonhos sonhados juntos, visando à construção de realidades cada vez mais palpáveis de uma Academia que nasceu de um sonho, mas que se tornou realidade pelas mãos de todos aqueles que contribuíram para que, hoje, pudéssemos todos juntos comemorar nosso primeiro aniversário.   

A história da AELDF, sob o olhar do acadêmico Josué Mendes Acadêmicos em foto histórica, após a Sessão Magna da AELDF em 30 de novembro de 2020, no restaurante Fausto & Manoel, em Brasília-DF.

Reescrita de uma bela história…

Nascida, não nos jardins do rei Akademus, onde se cultivava o mundo das ideias inteligíveis e sensíveis, expressas na máxima de Platão: O corpo humano é a carruagem. Eu, o homem que a conduz. O pensamento, as rédeas. Os sentimentos, os cavalos. a Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal tem endereço jurídico não menos importante, na QNA 19, Lote 33, 1º Andar, Taguatinga Norte, espaço gentilmente cedido por seu primeiro presidente, o acadêmico Rubens Tavares e Sousa, responsável por conduzir e mediar, pacientemente, e às vezes distraidamente, as inúmeras discussões e celeumas travadas nos primeiros encontros. Por isso, nem sempre os sorrisos da foto expressam o clima (des)harmonioso das reuniões. Deixo aqui registrado, inicialmente, que debates e discussões são momentos previstos e aceitáveis em todo e qualquer trabalho coletivo. Repetindo Platão: Uma vida não questionada não merece ser vivida. Nas origens das academias não foi diferente. Em 1582, a Academia de Florença denominava-se della Crusca ou “Farelo”, pois dizia separar o joio do trigo, tendo como lema Il più bel fior ne coglie (a fina flor colhida). No Brasil, no século XVI, eram comuns os debates nas agremiações, ironicamente nominadas: Academia Brasílica dos Esquecidos (Bahia, 1724); Academia dos Felizes (Rio de Janeiro, 1736); Academia dos Seletos (Rio de Janeiro, 1751 ou 1752); e Academia Brasílica dos Renascidos (em 1759). Esta queria reviver os Esquecidos, porque constataram que eles tiveram vida breve. Machado de Assis, um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em seu discurso de posse, destacou: a Academia Brasileira de Letras nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa… e mais: A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis… e conclui: Cabe-vos fazer com que ela perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Entendo que, doravante, a Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal deve voltar-se, prioritariamente, para a sua real vocação, qual seja: contribuir para o desenvolvimento de uma literatura cristã, de reconhecido mérito ou de valor literário, que seja capaz de ecoar os princípios e a missão atinentes ao Reino de Deus, posto que fomos chamados para dar bons frutos, inclusive na Palavra. Há de se reconhecer que, nesses dois primeiros anos de vida, a Academia Evangélica de Letras consolidou-se na história do Distrito Federal, pois temos: registro como pessoa jurídica no Cartório 1º Ofício de Brasília-DF; CNPJ devidamente emitido pela Receita Federal do Brasil; Estatuto, Regimento Interno e Código de Ética já aprovados; conta corrente na Caixa Econômica Federal; um modesto mas considerável patrimônio; um livro publicado, fruto da boa escrita de seus membros acadêmicos; um belo hino de autoria do confrade Peniel Pacheco; as indumentárias (estolas) e medalhas; e ainda plantamos três mudas de pau-brasil no Parque da Cidade… tudo isso resultado dos trabalhos da 1ª Diretoria Executiva, habilmente coordenada pelo eminente presidente Albérico Camelo de Mendonça. Para este novo tempo da Academia Evangélica de Letras, que hoje começa sob a presidência do acadêmico Valdir Alves de Oliveira, podemos parafrasear o salmista, rogando a Deus assim: “que sejam agradáveis as palavras de nossa literatura e as reflexões do nosso coração”, para que nossos leitores desfrutem de uma excelente obra, esta que entra pelo intelecto, alcança o coração e se assenta no espírito, promovendo assim uma real e genuína transformação de vidas. Reforço, enfim, a ideia de que uma Academia de Letras é uma referência no mundo cultural, tendo por atributo desabrochar aspirações, estimular a escrita literária, divulgar obras de reconhecido valor e destacar os méritos de seus acadêmicos. Por ser, ademais, Academia Evangélica de Letras, reveste-se de uma natureza especial, tendo por missão principal fazer com que as vidas dos insignes patronos e acadêmicos ainda falem, testemunhando as boas dádivas de Deus, e que as palavras de suas verves também cooperem para a transformação plena do Ser, visto que, “juntos, somos verbos que expressam / O poder que emana do altar”. Que Deus nos ajude a reescrever a bela história de nossa Academia, em um livro que componha os anais eternos!